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O Minotauro Contemporâneo

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É possível que todos já tenham escutado sobre a lenda mítica do Minotauro e seu labirinto. Acredito que todos, também, saibam que ele tinha um corpo metade homem e metade touro. Contudo, talvez, poucos saibam que sua concepção nasceu para exemplificar o quanto o ser humano pode ser ganancioso e como esta característica pode ser deletéria a todos. Se você tiver a curiosidade de ler sobre esta lenda, entenderá que um rei (Minos), ao receber um presente de Poseidon (um lindo touro), não realizou, por ganância, o sacrifício desta dádiva. Ele tentou ludibriar Poseidon que não aceitou tal postura e contra-atacou fazendo com que a esposa do rei se apaixonasse pelo animal. Eis que na calada da noite, a rainha copula e engravida do touro. Ela engravida e, então, nasce o famoso Minotauro que foi colocado em seguida num labirinto de onde não sairia mais. Mesmo preso fisicamente no labirinto, a dor promovida pela ganância, materializada na fera, ressoou por toda a vida daquela realeza.

A ganância é capaz de cegar e entorpecer a mente além de promover um agir destemperado nos homens. No caso do rei Minos, ele pagou numa moeda poderosa, pois além de ser desonrado, viu a família, literalmente, se destruir. Atualmente, quantos reis Minos existem? O desejo voraz de ter direciona o pensar dos homens, tanto na esfera individual como na coletiva. E o pior é perceber que, para se ter e manter o objeto do desejo, tudo é possível e tudo é justificável. Com tais posturas, machucam-se horrores e tende-se a dominar os possíveis dominados que se colocarem diante do projeto. O dominar não significaria, exclusivamente, uma escravização imperialista, mas sim uma postura de passar por cima daquele ou daquilo que represente uma barreira ou ameaça a ganância. Ao ter o objeto desejado na mão, o homem se deleita e se lambuza a ponto de esquecer todas as relações e pessoas que, de fato, merecem seu olhar respeitador e acolhedor. Isto acontece aos montes e em várias esferas do viver indo desde relações interpessoais coloquiais até as propinas e bandalheiras políticas com tempero de sociopatia. Mas, ao final, tudo foi movido pela ganância e pelo desejo cego de ter.

O que é conseguido e mantido pela ganância não passará inerte. Quando deixamos de enxergar pela cegueira gananciosa, teremos como conseqüência a construção de um descaso maldoso, um esquecimento cretino e um sofrer perpétuo. Ao atuar, replicar e perpetuar a ganância, nós determinaremos o fim do respeito e manteremos o perverso. Tal qual para o rei Minos e seus amados, nós, também, sofreremos as conseqüências neste mundo contemporâneo. Portanto, as famílias se fragmentarão, as relações sucumbirão e a proteção se esvairá. O esposo poderá esquecer-se da esposa, o pai do filho, a mãe da filha, a igreja do rebanho, o político do povo e por aí vai. O que acontecerá no final? Infelizmente, o Deus dos mares, Poseidon, não jogará sua ira mítica nestes agentes. Seria até mais fácil para todos nós e frearia mais tais comportamentos. O sofrimento causado por estes agentes reverberarão em grande intensidade causando muita dor. Talvez, alguns gananciosos sejam apenados pela vida em conseqüência da sua cegueira e do seu desejo de sempre querer mais. Isto fará com que alguns tropecem nos seus próprios comportamentos. Todavia, alguns continuarão atuando e causando muito mal, que muitas vezes não poderá ser dimensionado. O que nos sobrará? Quem sabe os Deuses do Olimpo olhem por nós!

Régis Eric Maia Barros

Dr. Régis Eric Maia Barros
Médico Psiquiatra
Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP 
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