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Tolerância ou respeito: qual a melhor palavra para os dias de hoje?

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Ao ler alguns textos de filósofos com idéias liberais (ex: John Locke), passou pela minha mente um questionamento reflexivo: qual palavra que é mais apropriado para usar na práxis da vida – tolerar ou respeitar. É muito comum escutarmos que “o mundo e as relações precisam ter tolerância”. Este termo é propagado nas análises de eventos conflituosos e com lides estabelecidas. Inclusive, um jargão exclamativo é replicado, repetidas vezes, em diversas situações – “é muita falta de tolerância!”. No entanto, não paramos para refletir que a palavra tolerância é formada a partir de uma derivação sufixal do verbo tolerar cujo valor está aquém do verbo respeitar. Percebam que o “tolerar” não embute o aceitar respeitoso, pois a tolerância, em tese, pode não ser uma atitude espontânea de aceitação humanística.

Por exemplo, os direitos de cada um não precisam de tolerância, mas sim de respeito. A tolerância, num contexto preconceituoso e de exclusão, pode, inclusive, reafirmar tais posturas. Ou seja, é possível tolerar, por diferentes forças externas, sem ter o mínimo respeito àquilo ou àquele que se tolera. O certo é respeitar o oposto e o diferente e não tolerar o oposto ou o diferente. Você entenderá isto refletindo sobre o que se deve fazer em algumas situações. Por exemplo, o melhor seria: “tolerar” uma pessoa negra sentada ao seu lado no avião ou “respeitar” esta pessoa que se sentou ao seu lado; “tolerar” um aluno “cotista” na sua sala de aula ou “respeitar” seu colega de graduação; “tolerar” uma mulher que lhe chefia ou “respeitar” a sua chefa e por fim “tolerar” seus vizinhos homoafetivos ou “respeitar” os humanos que moram no apartamento ao lado.

Os termos provenientes do verbo tolerar dão certo ar de arrogância e de capacidade de conhecimento diferenciado. Eles manifestam a idéia de certeza, prioridade e saber absoluto e colocam o tolerante num patamar acima o qual não deverá ser atingido por aquele que é tolerado. Desse modo, toleram-se possíveis “erros” e “defeitos” dos outros. Contudo, vale ressaltar que os “erros” e os “defeitos” foram julgados sob a égide do julgador “tolerante”. É ele que está julgando o “errado’ e o “defeituoso”. É uma concepção vertical e hierárquica. Diferentemente, o respeitar coloca as partes no mesmo nivelamento sem ter que engolir “aceitações forçosas” do tolerar. Não que o ato de tolerar não exista e não possa ser utilizado nas relações do mundo. Muito pelo contrário, é preciso destacar que nós toleramos muitas coisas, todavia estas coisas precisam, de fato, de tolerância. E poderemos até chegar à conclusão que seremos intolerantes com elas mesmas. Teremos o livre arbítrio para isto. Não obstante, neste artigo, eu desejei fazer uma importante reflexão para algumas relações onde o respeito deve imperar frente o tolerar. Talvez, um bom exercício para tudo isto seja a possibilidade de aprendermos a não tolerar a nossa incapacidade de respeitar.

Régis Eric Maia Barros

Dr. Régis Eric Maia Barros
Médico Psiquiatra
Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP 
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