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Canabidiol (CBD), maconha e os paradigmas

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Na última quarta-feira (14/01/2015), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) retirou o CBD da lista F2, composta por substâncias psicotrópicas de uso proibido e proscrito, e o incluiu na lista C1, que reúne substâncias prescritas com controle especial. Tal mudança transcende uma simples transição de lista, pois ela representa uma resposta social ao conservadorismo de algumas mentes e de algumas instituições.

Pois bem, até poucos meses atrás, algumas instituições se mostravam tão retrógradas e tão conservadoras que o ato de expressar uma opinião “antiproibicionista” gerava um julgamento inquisitório por parte delas. Aquele que, por ventura, se posicionasse a favor da liberação, descriminalização ou legalização do CBD e/ou da maconha teria que encarar uma seqüência de atitudes agressivas e preconceituosas. Falo isto como testemunha vivencial, pois fui vítima de tal movimento excludente, simplesmente, por defender o debate e a escuta. Fui atacado, moralmente, por desejar que os integrantes da minha categoria profissional (psiquiatria) fossem escutados coletivamente, sem exceção, independente das suas opiniões. Ou seja, defendi que a construção dialética e as respostas das angústias sociais só poderiam acontecer se aqueles que eram a favor ou contra a liberação do CBD e aqueles que eram a favor ou contra a descriminalização/legalização da maconha pudessem conversar e expor o que pensam. Por isto, escrevi um artigo, publicado no Jornal O Globo (link abaixo), que defendia claramente isto. Devido a ele, fui insensatamente atacado. Sem problemas! Continuei a expressar minha opinião e lutar, de fato, por uma democracia real e não falaciosa. Eis que me deparo com a notícia destacada no primeiro parágrafo a qual me trouxe felicidade por acreditar que a sociedade deve caminhar desta forma. Devemos caminhar, sempre, revendo nossos conceitos, sobretudo quando novas idéias podem mostrar equívocos neles.

Pensar de forma retrógrada, impossibilitando o avanço histórico das eras, é um dano irreparável. A não aceitação das mudanças acaba por aprisionar o mundo e as pessoas, impossibilitando o crescer natural das gerações. Em função disto, os conceitos de décadas anteriores rotularam tudo que veio da maconha e, inclusive, a própria maconha. Portanto, como gado marcado em boiada, os retrógrados, assim, atuam quando falamos da maconha e dos seus canabinóides. Enfim, ficou marcado – “faz mal”. Mas, faz mal para quem? Por exemplo, para as famílias e as crianças que conseguiram liminarmente importar o CBD, não fazia nenhum mal. Pelo contrário, fez um bem sem igual. Inclusive, a tese jurídica para conceder as ordens judiciais foi baseada na resposta terapêutica do CBD, após as inúmeras falhas terapêuticas das medicações convencionais. Após a justiça participar ativamente deste contexto, conseguimos avançar. As instituições governamentais e as autarquias analisaram a questão e responderam a demanda social de maneira mais adequada. Contudo, é preciso avançar mais, pois outras perguntas envolvendo a maconha existem.

Este fenômeno do CBD traz uma reflexão de como deverá caminhar a discussão sobre a maconha, visto que, com ela, as composições apaixonadas e maniqueístas são mais graves. Se na análise da liberação do CBD era necessário a escuta de todas as opiniões, com a maconha, isto se faz fundamental. Neste tópico, deixamos de ter uma discussão, somente, da área da saúde. As discussões que envolvem a maconha devem ultrapassar a esfera da saúde. Vários olhares e saberes deverão compartilhar o mesmo espaço de discussão. Os saberes diversos precisarão ser escutados e as vozes necessitarão de espaços equânimes. Como todo ato, as conclusões sobre a maconha (descriminalização e legalização) trarão ganhos e perdas e, provavelmente, o caminho será encontrar a resultante destas forças. Em outras palavras, a sociedade ganhará mais ou perderá mais com a descriminalização/legalização da maconha? Estes protagonistas definirão isto. Eles serão sensatos nesta construção? Eu não sei dizer. O que eu sei é que eles precisarão responder isto à sociedade até por que, esta sociedade tem sede por avanços que possam responder seus anseios.

O bem e o mal são antípodas que precisam ser discutidas, visto que, a bondade e a maldade, em alguns momentos, são dinâmicas e flexíveis e, muitas vezes, representam o conteúdo ideológico do julgador. Portanto, a conclusão daquilo que é bom e mal poderá não ser a conclusão da coletividade social e, desse modo, poderá não servir para sociedade. Termino este artigo com um pensamento de Chico Buarque que reflete muito bem os pontos discutidos nele. Logo, “as pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem”.

“Todos de Acordo” – artigo publicado em 29/05/2014 no jornal O Globo
http://goo.gl/YJlTts

Dr. Régis Eric Maia Barros – Médico Psiquiatra
Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP
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