Uma eterna criança…

eu criança

Se eu pudesse escolher, seria, para sempre, uma criança. Sem cobranças e sem pressões sociais. Assim, uma criança é ou, pelo menos, assim, deveria ser. Um ser que sonha e vive o sonho. Ou melhor, um ser que se joga e que participa do seu próprio sonho. Assim, uma criança é. Se eu pudesse, não sairia dessa faixa etária, visto que, uma criança enxerga o mundo por uma lente mais pura e bela. Uma lente mais bondosa. Viver sem metas e sem disputas. Sem preconceito e sem domínio. Se eu pudesse, daí, não sairia, pois a impulsividade e a molecagem podem ser aceitas. Gargalhar e falar o que pensa pode não ser problema. Não ter horários fixos e responsabilidades avassaladoras. Assim, uma criança é. Pular, correr, rolar e gritar. Sinto falta disso! Sinto falta de ser criança. Uma criança que brincava de bola no meio da rua e, por conseguinte, que esfolava os dedos com topadas e machucados. Uma criança que soltava pipas e jogava bolinha de gude nos areais próximos de casa. Uma criança que, junto dos amigos, apertava a campainha das casas e corria logo em seguida. Uma criança que andava descalço na rua e que chegava em casa todo sujo em decorrência das travessuras. Assim, eu era! Assim, uma criança é. Acho que somos mais leves na infância. Pelo menos, deveríamos ser. Percebi, na minha prática de psiquiatra, que os adultos mais atormentados emocionalmente são aqueles que tiveram uma infância doída. Eu sinto falta da infância, porque, nessa época, eu podia ser e fazer o que eu queria. Claro que castigos e peias existiram por eu desejar aplicar esse querer, porém valia muito a pena. Tenho saudade disso. O crescer adulto pode nos entorpecer. Ao escutar Comfortably Numb (Pink Floyd), eu percebo isso:

“The child is grown
The dream is gone
And I have become
Comfortably numb”

(*) Eu há aproximadamente 40 anos…

Régis Eric Maia Barros

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