Papai, por que mataram os Judeus?

holocausto

Esse foi o questionamento do meu Leozinho na hora do seu jantar. Ele estava incomodado e sem entender o porquê do Holocausto. Na cabecinha dele, não era aceitável “um povo matar outro povo”. Ele está tão certo que senti um orgulho sem igual. Essa percepção dele tem duas vertentes de justificativa. A primeira provém da sua bondade autóctone. Ele é puro e repleto de amor pelos outros. A segunda brota e cresce a partir dos valores que ensinamos. Aqui, na minha casa, passamos para os nossos filhos ensinamentos de bondade e de alteridade. Então, a pergunta tinha ressonância com o que ele percebe como certo para o mundo. Mesmo sendo criança, ele sabe, entende e concorda que é preciso amar as pessoas e aceitá-las como elas são. Mesmo pequenino, ele percebe que o diferente não é e nunca poderá ser um fator preponderante nas nossas relações.

Como ele demandou uma resposta, eu tinha a obrigação de respondê-la. Pensei em algo mais lúdico para que seu entendimento fosse alcançado. Assim, eu respondi:

“Filhinho, às vezes, as pessoas podem olhar para as outras e podem não gostar delas só pelo fato delas serem diferentes. Filho, quando alguém não gosta de outra pessoa por que ela não é igual, pode acontecer isso. Você sabe que está errado. Aqui em casa e fora de casa, nós todos gostamos das pessoas que são diferentes de nós. Na verdade, filhinho, o correto é entender quem nem diferenças existem. Se a cor dela é diferente da sua, ela é igual a você. Se ela é pobre ou tem um carro ou uma casa pior que a sua, ela é igual a você. Se ela mora com um namorado ou namorada, ela é igual a você. Não existem diferenças, meu filho. O problema é que as pessoas podem ser raivosas e se percebem melhores do que as outras. Você acredita nisso? Tem pessoas que se sentem melhores do que as outras! E quando ficam com raiva, elas podem machucar as outras. A isso nós chamamos de intolerância. Essa palavra fala disso meu filho, ou seja, não gostar do diferente e querer acabar com o diferente. Na sua escola, lá no estádio que fomos assistir ao jogo, no shopping, na rua, na praia e em todo lugar, existem muitas e muitas pessoas diferentes. Que bom! Podemos aprender e conviver com elas. Todos elas têm muito a nos ensinar. Então, filhinho, por isso mataram os Judeus. Por que eles foram vistos como diferentes e por que eles foram vistos como um problema, justamente, por serem diferentes. Uns homens maus e doentes escolheram matá-los por causa disso. Muito triste! Hoje, todos nós, eu e você, vamos proteger aqueles que são chamados de diferentes. E eu e você, juntos de muitas outras pessoas, não vamos nunca mais deixar isso acontecer. Ao final da explicação, chamei-o para o meu colo e lhe dei um abraço apertado e um beijo carinhoso. Falei ao seu ouvido: continue assim meu lindo filho”.

É isso…

Régis Eric Maia Barros

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