Olhando para o outro…

Olhar para o outro é nobre. Quem tem a possibilidade de perceber e aprender com o outro, certamente, poderá ser maior a cada encontro. Inevitavelmente, ao ser psiquiatra e perito, eu encontro com o outro. Na verdade, posso até fazer uma estimativa para me tornar mais claro. Se atendo, diariamente, em torno de 10 pessoas (tem dia que são mais), na semana, eu terei atendido por volta de 50 pessoas. Ao final de um mês, entre casos novos e atendimentos de retorno, terei tido uns 200 encontros. Se você usar da matemática, perceberá que, ao ano, serão pelo menos uns 2000 encontros. Portanto, minha atividade profissional é de encontrar, ou seja, uma atividade em que os encontros médicos-periciais se repetem. Se eu encontro tantas pessoas, nós podemos imaginar com quantas pessoas diferentes eu costumo conviver. São pessoas extremante diferentes em todos os aspectos da vida. Vão de 8 a 80 em exatamente tudo. Para mim, isso não é problema. Na verdade, tento me enriquecer com o que há de melhor em cada uma delas. Tento aproveitar a possibilidade de estar próximo do diferente. Mas, independente da diferença, eu os respeito do jeito que eles são. Pouco me importa o que eles são, o que eles pensam e o que eles têm. Não tenho o mínimo desejo de mudá-los por mais que alguns fatos sejam impactantes. Assim sendo, compreendo que a alteridade é uma palavra chave para esse mundo torto de hoje. Se não há possibilidade de respeitar e proteger os grupos minoritários, mesmo que eles sejam diferentes, o que nos restará enquanto espécie? O discurso do ódio, travestido de falas de bons costumes, cresce desvairadamente. Aceitar o outro já está sendo algo raro. Conviver com o diverso não é algo palpável nesse mundo maluco. E aqui no Brasil? Será que está diferente? Pare e pense! Veja nosso cenário atual e a força que esse discurso vai ganhando. Discurso o qual que busca se apropriar do suposto correto. Atacar e achincalhar o minoritário, que é desprotegido e considerado diferente, simplesmente, pelo fato dele ser minoritário. A que ponto nós chegamos! Homens e mulheres que se alcunham “de bem” e “de bons cristãos” com um ódio perverso em si. Pessoas que cospem o mal. Esse é o novo mote. Dias tristes poderão acontecer e só notaremos depois, muito depois…

Régis Eric Maia Barros

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>