O que aconteceu com a medicina?

Charge 1

Charge 2

Charges 3

Hoje, durante uma aula de ética, que ministrei aos meus alunos, eu fiz essa pergunta. Contextualizarei o motivo. Atualmente, a medicina pode muito mais. Nós, médicos, e a medicina, enquanto ciência, arte e saber, degustamos de inúmeros avanços extraordinários. Portanto, temos mais instrumentos diagnósticos, somos mais efetivos nos tratamentos ofertados e nossas terapêuticas são mais eficientes.

Ou seja, os recursos dessa medicina do presente são infinitamente maiores do que os da medicina de décadas e séculos atrás. A despeito disso, se compararmos o valor e o respeito que a sociedade nos credita, perceberemos que os médicos de outrora eram mais respeitados que os de agora.

O que aconteceu, então? Ou melhor, o que vem acontecendo?

Certamente, as explicações são diversas e possuem justificativas em várias linhas. Desse modo, poderia enumerar algumas só a título de reflexão, por exemplo: o objetivo de quem busca uma graduação em medicina, o crescimento exponencial do número de médicos e de faculdades de medicina, a busca constante por subespecializações e a pouca procura por ser médico generalista e por aí vai. Se eu me detivesse aqui nesse caminho, poderia escrever incontáveis fatores e esse texto não teria fim.

Mas, aquilo que me encuca e que me motivou a trazer isso na aula foi a reflexão de que, mesmo avançando de forma estratosférica, a medicina e o médico perdem respeito e consideração social. Não que a medicina precise disso para existir, porém entendo que isso seja um termômetro importante de análise.
Eis a pergunta que não quer calar:

Qual seria o nosso papel e a nossa participação nessa hermenêutica?

Por fim, fiz uma brincadeira na aula. Abri, no Google, duas buscas de imagens com as seguintes palavras chaves: “charges sobre médicos” e “charges sobre bombeiros”. Juntos, nós estudamos as imagens. Resumidamente: é difícil encontrar uma charge positiva sobre médicos, enquanto todas sobre os bombeiros, que nós admiramos sobremaneira, são positivas. Então, qual seria a representação dessa hermenêutica? Estaríamos diante de uma mera perseguição política e ideológica ou, de alguma forma, nós estaríamos contribuindo para isso e não nos atentamos?

Régis Eric Maia Barros

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