O psiquiatra e as significâncias da vida

Postulo que um psiquiatra precisa lutar para ofertar significâncias às vidas dos seus pacientes. Sem isso, o tratamento será uma roda que gira e gira, mas que não anda nem evoluiu.

Mas, o que seria essa tal de significância?

O adoecer mental tem peculiaridades que as outras doenças médicas, por vezes, não têm. Ele costuma quebrar a homeostase do equilíbrio emocional. Não é incomum perceber que quem padece dele se perde dentro da sua própria vida e dentro da sua trajetória. Ou seja, a significância do existir e do viver pode se esvair nesse processo. Sem significância, o caos se instala e o futuro pode deixar de ser pensado. Em meio a dor desse sofrimento emocional, a impotência e a falta de paradigma atormentam. Assim, muitas vezes, os pacientes estão. Assim, em algum momento, todos nós estaremos.

Então, o que o psiquiatra deve oferecer?

Claro que ofertamos medicamentos eficientes e propostas terapêuticas adequadas. Isso é super indicado e necessário. No entanto, você quer saber mesmo: nós precisamos trabalhar para ofertar significâncias e novas significâncias. Eis a arte da psiquiatra! Por essas e outras, ela é linda, visto que, o psiquiatra, obrigatoriamente, precisa viajar e se envolver com inúmeros temas e conteúdos que transcendem a própria medicina. Se ele assim não o fizer, certamente, não encontrará fórmulas e métodos para instilar significâncias.

Eu, enquanto psiquiatra, me percebo dessa forma: um profissional que busca e luta para mostrar e oferecer significâncias para as vidas que cruzam o meu caminho, inclusive a minha.

Régis Eric Maia Barros

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>