Manicômios

A todo jovem que sonha em ser médico, eu recomento que se tenha contado com duas obras: o documentário “Em nome da razão” do cineasta Helvécio Ratton e o livro “Holocausto Brasileiro” da escritora e jornalista Daniela Arbex.

E por que sugiro que se tenha contado com essas produções? Por que a medicina, quando está presa ao perverso e ao mercantilismo sem freios, é capaz de atrocidades. Na verdade, não só a medicina. Qualquer área ou saber humano, que atue essa vertente, será capaz de males difíceis de descrever. No entanto, como a medicina existe, sobremaneira, para cuidar daqueles que padecem e daqueles que estão desprotegidos, causa-nos espanto e asco ver as situações destacadas no documentário e no livro.

O manicômio é um grande espaço de exclusão. O manicômio desnuda, agride e violenta os desprotegidos que, via de regra, são expulsos da sociedade dos “normais”. O manicômio é mal e perverso. O manicômio é sociopático. Uma triste história da psiquiatria. No Brasil, antes da Reforma da Assistência Psiquiátrica, eles dominavam. Em todos os cantos do Brasil, eles prevaleceram. Uniam-se a necessidade de excluir aquele que quebrava a normativa social da “normalidade” com a busca do lucro. O lucro provinha de superlotação com ausência de tratamento. O custo baixo na manutenção do manicômio associado a um tratamento desumano permitia um produto financeiro positivo. A exclusão da família, a indiferença da sociedade civil e a participação de médicos e outros profissionais da saúde causaram estragos. Todos carregam, em si, essa culpa compartilhada.

Com a nova política pública brasileira, que tende a mudar o enfoque comunitário para o enfoque hospitalar fortalecendo, inclusive, comunidades terapêuticas, tive vontade de escrever essa reflexão a fim de fazer com que a juventude possa perceber a história. Ela poderá nos guiar para o que, de fato, é ético, humano e científico. Que possamos ter uma sociedade sem espaços de exclusão em que os direitos fundamentais de todas as pessoas sejam protegidos.

Régis Eric Maia Barros

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