Fotos que falam…

fotos que falam

Algumas fotos falam em alto e bom som. Falam e falam muito. Falam de um jeito que basta, em silêncio, apreciá-las que tudo será dito. Essa foto é uma delas. Deixa-me contar um pouco do que ela está me falando.
Uma foto antiga.
Uma foto clicada no ano de 2007. Eu e Veca, em Ribeirão Preto, numa manhã de um sábado qualquer. Nessa época, a nossa vida virou de ponta-cabeça. Como dito, vivíamos em Ribeirão Preto onde fizemos nossos estudos de residência médica e de pós-graduação. Tínhamos uma vida boa e estável. Apesar da pouca grana, conduzíamos a vida com certo conforto. Eis que ela faz um concurso para a Rede Sarah em Brasília. Eis que ela, como sempre competente, foi aprovada. Eis que ela veio avaliar o emprego e necessitou se mudar para Brasília. Eis que por quase um ano ficamos separados. Começamos nossa história em 1994 e essa separação espacial seria a 2º da nossa trajetória. Depois conto, noutro texto, como foi a primeira. Infelizmente, essa segunda veio a acontecer. Foi duro. Foi saudoso. Foi difícil. Foi triste. Não tínhamos muito dinheiro e gastávamos quase todo ele nas pontes áreas. Alternávamos as viagens. Ora eu viajava a Brasília, ora ela retornava a Ribeirão. Partíamos nas sextas, às noites, e voltávamos nos domingos. O dinheiro curto, o cansaço semanal e o desgaste dessas viagens rápidas impossibilitavam que as idas e vindas fossem semanais. Então, durante as noites, restava-nos a saudade. Olavo Bilac dizia que a “saudade é a presença dos ausentes”. No nosso travesseiro e no cair das nossas lágrimas, sentíamos a presença ausente do outro.

Foi então que num sábado qualquer, logo após acordar, decidimos e resolvemos a angústia. Foi justamente nesse sábado, momentos antes da ideia de resolução, que tiramos essa foto. Decidi largar tudo em Ribeirão Preto para desbravar e ganhar a vida em Brasília. Larguei meus dois empregos públicos, meu consultório e o condicionamento de uma vida de oito anos para, como feito por “João de Santo Cristo”, desnudar o Planalto Central. Depois dessa conversa e depois dessa foto, parti poucas semanas depois para Brasília.

De início, tudo foi muito difícil. O início é, de fato, complicado para todos. Pensamos em desistir por várias vezes e partir para Fortaleza, nossa terra natal. No entanto, aos poucos as coisas foram se assentando. Nós, paulatinamente, fomos ajustando e organizando a vida. Fomos estabelecendo vínculos e histórias. Fomos vencendo e fomos lidando com as frustrações. Fomos construindo felicidade e degustamos de alegria. Nossos filhos (Léo e Ben) nasceram aqui. Eles com felicidade são candangos. Ao final, somos apaixonados por Brasília. Uma terra que aprendemos a gostar de forma ampla. Uma cidade maravilhosa. E confesso que, durante essa foto, não teríamos a possibilidade de pensar que, hoje, podemos afirmar que, em hipótese alguma, queremos sair de Brasília. Essa foto, que compartilho aqui, fala e continua falando. Hoje, ela falou novamente comigo e fiz questão de contar a todos vocês.

Régis Eric Maia Barros

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