Escutar com o coração

ear of heart

É inevitável que o psiquiatra deve ter um ouvido apurado. O seu instrumento de trabalho está centrado na fala e na escuta. Sem isso, não tem como ajudar ninguém. Mas, ao se falar da escuta, um paciente disse algo que me deixou muito lisonjeado. Ele falou: “doutor, o senhor nos escuta não com os ouvidos, mas sim com o coração”. Puxa! Faz sentido. Não adianta somente escutar os relatos que, geralmente, são permeados de dor e angústia. É preciso escutá-los e deixar que aquela onda dolorosa toque o coração. É preciso sentir a dor para que, usando de alteridade, consigamos tratar. É preciso afeto, pois a técnica e a terapêutica só terão sentido se o sentimento prevalecer nessa relação com o paciente. As histórias vem e vão. Os relatos acontecem diariamente no meu consultório. As angústias e as ansiedades se repetem. Para tratá-los, meu coração deve “escutar” e “responder em voz alta”. Esse meu coração é capaz de vibrar com as conquistas e chorar com as derrotas. É o coração que permitirá a minha aproximação com quem sofre. É esse coração que acolherá. Esse meu coração escuta, inclusive, os mais baixos sussurros. O paciente está certo: eu escuto com o coração. Gostaria que as pessoas escutassem mais com ele e não somente com os ouvidos…

Régis Eric Maia Barros

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