Em sísmico…

STABILIS

Assim, um paciente meu descreveu, após a melhora, como é ficar moderadamente deprimido.
“Doutor, eu morei num canto do mundo em que tinha umas placas tectônicas nas proximidades. Doutor, acredite em mim. Não é confortável morar todos os dias numa região dessas. Vez por outra a terra treme e, quando treme, tende a ser de forma intensa. Pois bem, eu não sei se o senhor já esteve num sísmico cujo nome corriqueiro é terremoto. Se não, eu lhe garanto que é desesperador. Tudo treme e fica sem base. Você fica sem base. Seu chão fica sem base. O teto fica sem base. E no desespero, você tenta segurar em algo que está tão sem base quanto você. O medo iminente da morte nos petrifica nessa hora. A depressão é assim doutor. Você entra e fica em “sísmico”, ou seja, tudo treme. Você fica perdido e sem base. Você se sente impotente. Ao final, você até espera a morte como alívio para o medo e a dor. A depressão é um sísmico. Entenda isso, meu doutor. Que bom que o sísmico passa e você, se tiver sorte, continua vivo. Que bom que a depressão passa, quando encontramos tratamento e refúgio. Aqui, nesse consultório nordestino, eu tive refúgio e, no meio do meu sísmico (depressão), eu encontrei uma base de sustentação. Agora, que ele passou, eu preciso me afastar dessas zonas tectônicas da vida e, metaforicamente, procurarei viver de forma mais leve e sem tremores”.
Em homenagem a esse paciente, fiz esse relato e compartilho uma foto do meu consultório que traduz a descrição nordestina que ele ressaltou no seu relato.

Régis Eric Maia Barros

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