Culpa

Dentre os vários sentimentos negativos, este é um sentimento complicado de se ter. E como ele é comum! Sentir-se culpado, por escolher ou deixar de escolher caminhos na espiral da vida, é algo muito convencional na história de muitos. Reflexões do tipo -“se eu tivesse feito ou escolhido diferente, teria sido melhor”- emanam das mentes atormentadas pela culpa. A culpa agrega cobrança, julgamento e dor ressaltando que o tempo presente nunca será capaz de consertar o passado. Portanto, não é uma raridade perceber pessoas presas a culpa e pessoas congeladas pelas escolhas de outrora. Sempre penso em uma analogia quando falo da culpa. Penso naquelas figuras espectrais e fantasmagóricas dos desenhos infantis de um passado remoto que carregam em si uma bola de ferro acorrentada na perna. Essa é a culpa – a bola de ferro que não permite a alma (a pessoa) andar e seguir. Ela acorrenta e prende a dor na própria pessoa. É preciso compreender que não tem jeito, pois quando escolhemos, automaticamente, deixamos também de escolher. Mas, a vida é exatamente isso – uma sequencia de escolhas, decisões e, por conseguinte, consequências. Quando escolhemos algo, nós o fazemos julgando ser o melhor. Se o tempo mostrou que não era, paciência. Há época nós julgamos que era. É isso! Se dores surgiram pela escolha, vamos trabalhá-las, mas, ressalto: que bom que você teve coragem de escolher. Se tivesse escolhido outra coisa, talvez, não teria essas dores, mas, certamente, teria outras. A gente só não tem as dores da vida que não foi vivida. Viva, portanto, essa vida. Desprenda-se daquilo que te machucou na jornada. Você não é santo, mas ninguém também é. Somos de carne e osso. Ora acertamos, ora erramos. Relaxe e siga a jornada. Enterre a culpa. Ela é escrota e não deve crescer dentro de você.

Régis Eric Maia Barros

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