Bem mais do que medicar

The doctor

Que faz um médico? Seria ele um agente capaz de perceber e catalogar sinais e sintomas dos diversos infortúnios que acometem a saúde? Seria ele alguém que fornece ungüentos e elixires para os males do corpo e da mente? Talvez, ele assume, dentre suas várias funções, essas, todavia ele faz mais. Na verdade, muito mais. Atrevo-me a afirmar que os atos cartesianos de diagnosticar, medicar e prescrever são os menores dos seus feitos. Isto acaba por ser condicionado, aprendido e replicado. A grande função do médico está no contato humano. Por isso, eu, também, polemizo afirmando que a medicina é uma ciência humana e não biológica ou da saúde. Ela existe antes de descobrirmos os medicamentos, os micróbios e as alças do binômio da saúde-doença. A medicina é uma ciência de base e consolidação humanística. Ela surgiu pelo desejo de cuidar o qual é bem mais amplo do que o curar. Embora muitos associem que o médico é o promotor da cura, destaco que a cura muitas vezes não é alcançada. Acrescento que o avanço na busca dessa cura, certamente, trará novas propostas de bem estar para os humanos. Enfim, entenderemos e atuaremos mais nas doenças, contudo, sempre, haverá um perigo – o risco de compartimentalizar, dividir e esquecer que somos unos. Numa perspectiva de mostrar que tudo de certa forma está interligado, a metafísica do filósofo grego Parmênides apontou para isso. Sua célebre frase “tudo é uno” destaca isso. Portanto, o médico não é o agente da cura, visto que, não é incomum ele não ter essa capacidade. O médico é agente do cuidar. Aí, sim! Esta afirmação faz todo o sentido e com ela eu me aproximo da minha busca pela verdade filosófica da medicina. Ao pensar assim, nós caminharemos de mãos dadas com o ser adoentado. Será uma caminhada até o fim, mesmo que o fim seja a finitude desse ciclo de vida. Faremos tudo por ele em termos terapêuticos. Acolheremos seu choro. Dividiremos suas angústias. Aceitaremos suas lágrimas. Construiremos um vínculo sincero de interesses bondosos. Aceitaremos juntos que, muitas vezes, não curamos, mas sempre acolhemos. Assim, deve ser o médico. Assim, deveria ser a medicina por mais que as condições de trabalho e de relações financeiras nessa prática tenham uma tristeza acachapante. Por fim, ressalto que o médico faz mais do que prescrever emplastros para aqueles que padecem. O médico cuida e deve cuidar. Se, por ventura, não o fizer, ele não será um médico, mas sim um técnico que estuda medicina.

Régis Eric Maia Barros

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