AmarElo

Estimado Emicida,

Meu nome é Régis Barros. Sou médico psiquiatra e venho, por meio desta, parabenizá-lo pelo documentário musical AmarElo. Entendo que uma das principais dores emocionais que um humano pode passar é ter a sensação de que não existe, é ter a percepção de que não é visto, é ter a compreensão de que não é escutado e é ter a certeza de que, historicamente, foi excluído e colocado de lado na sociedade. Isso é muito doloroso. Para tal, o único tratamento possível é ofertar voz a essas pessoas. Ou seja, fazê-los perceber presentes nesse mundo fagocitário. Fazê-los lutar pelo direito de ocupar espaços que, em outrora, nunca lhes foram ofertados. Fazê-los sentir coesos e potentes numa força coletiva que, até pouco tempo, não conseguia ter voz. De fato Emicida, o tempo é para ontem. Na verdade, já se passou o tempo para que, coletivamente, lutemos contra a desigualdade e o preconceito estrutural. Isso deveria ser uma pauta de Estado e de toda sociedade. Não podemos calar frente a tantas mazelas, promovidas por essa acachapante desigualdade social. Portanto, o documentário é mais do que uma bela produção musical. Ele é um manifesto forte e poderoso. Ele deveria ser apresentado em horário nobre na TV aberta. Todos precisariam assisti-lo. Todos deveriam perceber que essa ferida racial e social precisa ser curada. E, para que a cura exista, todos nós precisamos lutar juntos. Por fim, a presença de Belchior nesse manifesto engradece e empodera a arte. A bile da perversidade só pode ser vencida com a poesia e a arte. A junção de Emicida e Belchior permitirá isso.

https://www.youtube.com/watch?v=FQ9hCN0ZYSg

Régis Barros

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