A psiquiatria

psiquiatria

Hoje, depois de um longo dia de atendimentos, pensei em escrever esse pequeno relato. Talvez, o corpo cansado e a mente fadigada fizeram-me escrever esse pequeno texto.

O objeto da psiquiatria está na mente. Os mais biologicistas poderão dizer que o cérebro e suas conexões seriam esse objeto. Os mais psicodinâmicos poderão dizer que a organização da psique seria esse objeto. Eu considero que o outro, ou seja, o paciente, em toda sua dimensão humana, configura o objeto de estudo e de trabalho da psiquiatria. Eu, enquanto psiquiatra, olho para o paciente na sua dimensão e nas suas relações humanas. Desta feita, a jornada de trabalho sempre acaba sendo intensa. Para se realizar uma boa psiquiatria, é preciso mergulhar no âmago e entender a dor emocional do outro. Isso, logicamente, demanda de uma disponibilidade do psiquiatra e traz, inevitavelmente, desgastes e cansaços. Assim, é a rotina do psiquiatra. Pelo menos, essa é a rotina de quem faz uma boa psiquiatria. Em função disso, confirmo a minha tese de que a psiquiatria namora com todos os saberes biológicos e humanos. A psiquiatria é uma especialidade médica que se estrutura na ciência e que se liga aos saberes sociais e humanos.

Cada consulta é um mundaréu de possibilidades, visto que, estaremos sempre vivendo além dos sintomas. Na nossa frente, há pessoas que pulsam, sonham, choram e que se prendem na esperança. Eis que, em média, nossas consultas duram em torno de 60 minutos. Não temos exames patognomônicos para diagnósticos das doenças. Via de regra, não realizamos procedimentos diagnósticos ou terapêuticos. Ou seja, na psiquiatria, a clínica se supera. A fala se faz necessária. Empatia, respeito e capacidade de dialogar, decifrando mensagens faladas e não faladas, são os alicerces da nossa prática. A partir daí, a psicopatologia se apresenta. Assim, caminhamos. Assim, trabalhamos. Posso, até, estar cansado, todavia, por tudo isso, não me vejo noutra especialidade médica.

Régis Eric Maia Barros

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