A prescrição que eu desejo prescrever…

bandas de rock

Eu prescrevo medicamentos todos os dias. Eles, sem dúvida, são importantes. Prescrevo antidepressivos, estabilizadores de humor, ansiolíticos, antipsicóticos e por aí vai. Receitas de controle especial, receitas azuis e amarelas são carimbadas por mim todos os dias. Isso faz parte da minha rotina. No entanto, eu queria mesmo era prescrever outras coisas. De preferência, eu desejaria prescrever música, arte e poesia. Assim, a vida entraria mais em sintonia com o mundo. Já pensou se eu pudesse prescrever Shery Crow quando as pessoas estiverem receosas em serem felizes. Certamente, eu diria o mesmo que a Shery Crow, ou seja, “if it makes you happy, it can’t be that bad” (“se isso te faz feliz, não pode ser tão ruim”). Seria, de fato, bem potente. E, se o paciente acreditasse que não existe mais vida na sua própria vida, eu prescreveria Pink Floyd e mais, especificamente, Coming Back to Life, pois, como dito por David Gilmour e Roger Water, o passado, ruim e doloroso, deve ser morto e deixado para trás. Assim sendo, defendo o mesmo que eles, portanto “we killing the past and coming back to life” (“nós matamos o passado e voltamos à vida”). E se a angústia tomar conta em face de perdas? Qual emplasto a ser prescrito? Que tal prescrever O Teatro Mágico! Com ele, poderemos compreender que o continuum da vida. Quem partiu está habitando vida dentro de nós. Desse modo, como declamado por Fernando Anitelli, “enquanto houver você do outro lado, aqui do outro, eu consigo me orientar”. Sabedor que a vida nos prega peças e sabedor de que, inevitavelmente, somos traídos, eu prescreveria algum elixir capaz de fazer a pessoa olhar para frente. Acreditar em si e seguir é preciso. Nesse sentido, que tal vir de U2 com “Walk On” e escrever assim na receita “walk on, what you got they can’t steal it” (“ande em frente, o que você conquistou eles não podem lhe roubar”). Por vezes, carregamos rancores e nos contaminamos com ele. Como dito por Mário Quintana, o passado não sabe seu lugar e costuma está presente. Portanto, precisamos olhar para dentro de nós e nos libertar para poder voar. Sempre que alguém estiver perdido nessa prisão, eu gostaria de prescrever Oasis que nos ensina que “slip inside the eye of your mind…don’t look back in anger” (“deslize os olhos para dentro da sua mente…não olhe para trás com rancor”). Por fim, para os pacientes com risco de suicídio, o que é muito comum na minha rotina diária, eu pensaria nos álbuns da Legião Urbana e escreveria em todas as receitas médicas a seguinte reflexão de Renato Russo, presente na música Via Láctea. Logo, assim escreveria: “quando tudo está perdido, sempre existe um caminho. Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz”. Assim, se eu continuasse, eu poderia construir muitas e muitas outras prescrições médicas que usariam música e poesia nas suas composições. Mas, deixe quieto! O importante mesmo é lembrar isso nessa jornada do viver. Quem sabe será menos doloroso e mais leve…

Régis Eric Maia Barros

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