A minha redescoberta da medicina

livros da medicina

Eu li boa parte dos livros mais famosos utilizados na formação médica. Acho que todos os meus colegas médicos também leram. Criava-se, inclusive, um jeito peculiar de nomeá-los. Nós os apelidávamos pelo nome do autor. Então, fizeram parte das minhas leituras e madrugadas de estudo o “Moore”, o “Sobotta”, o “Robbins”, o “Guyton”, o “Junqueira” e por aí vai. Vários outros livros em todas as disciplinas existiram, mas não vou citá-los aqui. Todos eles foram e são fundamentais e indispensáveis ao saber e a formação médica, porém confessarei a você algo inusitado – eu redescobri a medicina nas leituras não médicas. Pode soar como estranho e muitos, talvez, não entenderão, mas, mesmo assim, afirmo que redescobri a medicina nas ciências humanas. A filosofia, a ética, a psicologia, a sociologia e a antropologia trouxeram para mim a verdadeira medicina. Foram elas que conseguiram me mostrar à importância do médico e da arte médica. É com elas que consigo caminhar e exercer uma medicina que julgo ser melhor, pois, além da técnica e do conhecimento cientifico, existe o humano. São elas que me permitem transgredir o fenômeno saúde-doença, pois todos nós, inclusive eu e você, somos mais do que saúde e adoecer. Somos humanos ora carentes, ora melancólicos, ora perdidos, ora apaixonados. Somos humanos que querem mais do que tratamentos físicos e com elixires. O namoro com tais ciências humanas presenteou-me com uma bela perspectiva – a de ser um novo médico. Quem sabe um novo médico no afã de se aproximar dos médicos e da medicina de outrora.

Régis Eric Maia Barros

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