A internação psiquiátrica deve ser breve

A maioria das internações psiquiátricas pode e deve ser breves. Excetuando-se as condições de refratariedade ao tratamento ou as situações sociais graves que acompanham alguns casos, a sintomatologia psiquiátrica pode ser melhorada em tempos relativamente curtos. Daí, o tratamento deve ser continuado na organização extra-hospitalar.
Nesse novo cenário de mudanças nas políticas de saúde mental, isso precisa ser reafirmado, sobretudo, agora, com uma incursão mais robusta das comunidades terapêuticas (CTs) na rede de saúde mental. Inclusive, essa inserção terá suporte financeiro governamental.
O paciente psiquiátrico deve ser tratado fora dos muros hospitalares. Ele precisa estar na comunidade. Isso diminui estigmas e permite inúmeros ganhos nas mais diversas esferas. Em havendo uma condição aguda que justifique essa internação, ela deve ser feita. Como disse acima, ela deve ser a mais breve possível e, na minha opinião, ela deve acontecer em hospital geral. No entanto, por não ser o foco dessa reflexão, eu não expressarei aqui essa minha defesa. Deixa para outro artigo!
Salvo nas situações acima, é inconcebível que um paciente tenha internações psiquiátricas com tempo de internação tão longo e estendido. Não há razoabilidade para isso. Tal situação acaba por ser um ataque à ética e à ciência. E o mais triste é perceber que, muitas vezes, isso é o mais comum e, talvez, em alguns locais, seja, inclusive, a regra.
Eu já tinha essa impressão no começo da minha vida de psiquiatra. Depois que me apaixonei por essa linha de pesquisa, eu passei a ter a certeza. Ao invés de pensar em fortalecer, de maneira monocrática, o estrato da internação, eu fortaleceria a atenção primária de modo a enriquecê-la de matriciamento. Também fortaleceria o pavimento secundário e comunitário dos equipamentos psiquiátricos e garantiria uma comunicação efetiva e dinâmica entre eles. Para as internações, caso elas sejam indicadas, eu incrementaria a psiquiatria no hospital geral. Claro que, para tal, haveria uma necessidade de vencer resistências e de garantir um financiamento adequado.
Não há como pensar em organização hospitalar sem fortalecer o não hospitalar. O quantitativo de leitos e a forma como as internações acontecerão dependerão, obrigatoriamente, do entendimento e do fortalecimento do extra-hospitalar. O caminho que a nova política de saúde mental está percorrendo é equivocada. Ela tem tudo para não ser efetiva e corre o risco de ainda levar a ataques de direitos humanos dessa população já tão atacada na sua essência, o doente mental.
Não retirei da minha cabeça a fundamentação dessa escrita, mas sim do que eu construí dentro das minhas pesquisas. Abaixo, deixo alguns artigos que escrevi e que ajudam a materializar isso.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20027489

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21140074

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23429782

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26801498

Régis Eric Maia Barros

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