A culpa é da Dilma e do PT?

Congresso_Nacional

 

Nos dias de hoje, é muito complicado escrever sobre esse assunto, pois, somente pelo título do artigo, poderei ser julgado e condenado antes mesmo da sua leitura. Certamente, o ódio bradado em rótulos acontecerá e, sem dúvidas, os ataques surgirão em jargões tais como “PTralha” e “esquerdopata”. Mesmo assim, corajosamente, venho por meio dele fazer um questionamento: quem alimenta a corrupção?

 

O momento no Brasil é de um niilismo sem igual. A corrupção assola todo o meio político e vem contaminando todas as legendas políticas independente das suas ideologias ou aspirações. Então, há de se refletir como ela nasce e o porquê dela se propagar. Esses políticos de agora foram cidadãos comuns em outrora. Eles foram iguais a nós. Desse modo, o que acontece na nossa sociedade?

 

Em terras “tupiniquins”, a corrupção não nasce da abiogênese. Ela é um produto disseminado em todas as esferas do poder político e isso nos evidencia que uma origem social e cultural a retroalimenta. Eis que surge um movimento contra a corrupção, mas nos assustamos com a quantidade de corruptos. Inclusive, nós nos deparamos com uma situação sui generis – a de corruptos julgando corruptos.

 

Se não mudarmos de fato, não haverá mudança alguma e, infelizmente, para mim, esse ato de mudar ainda demorará. A questão é muito mais ampla do que um mero “fora PT”. Por vezes, nós nos vangloriamos pelas nossas “gambiarras” comportamentais e morais. Somos, internacionalmente, conhecidos como o povo do “jeitinho”. O famoso “jeitinho brasileiro”. Isso tem um custo. Isso não fica à toa. Isso respingará em nós mesmos. Muitos que pedem o fim da corrupção estacionam em locais proibidos. Muitos que lutam pelo fim da corrupção buscam sonegar impostos. Muitos que clamam pelo fim da corrupção têm posturas de se “dá bem” independente da moeda ética em jogo. Um jogo de dois pesos e duas medidas. Uma espécie de “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Desse modo, somos protagonistas ou vítimas da corrupção? Essa é uma interessante pergunta a ser realizada. Essa constatação, por si só, é capaz de comprovar o niilismo desse momento, pois, para mim, a corrupção só será extirpada se não encontrar um terreno fértil para crescer.

 

Como alcançaríamos tal alquimia? Se não criarmos um ambiente propício para a ética, nada se transformará. Portanto, além de medidas punitivas, o combate da corrupção demandará de medidas preventivas e educativas. Tais medidas precisariam acontecer desde as idades mais tênues, pois, somente assim, a moral se alimentará de um empoderamento deontológico. Caso contrário, não teremos mudanças, mas sim uma maquiagem do fenômeno.

 

Régis Eric Maia Barros

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