A base da medicina é o amor

Que a fisiologia, a anatomia, a histologia, a patologia e as outras disciplinas da medicina me perdoem. Sou sabedor da importância de todos esses saberes, mas entendo, postulo e defendo que a base da medicina está no amor. Sem amor, o médico não conseguirá exercer a medicina, mesmo que domine todas as disciplinas. Não me entendam mal. Não estou aqui pedindo para que os novos médicos esqueçam os conhecimentos básicos e clínicos da medicina. Só estou querendo provar que o amor é a motricidade da arte médica. O amor é mais profundo do que qualquer bisturi, visto que, ele pode penetrar no corpo e na mente de qualquer moribundo e causar modificações. E quando o amor faz isso ele não derrama sequer uma gota de sangue ou de outro líquido corporal. O amor é terapêutico. O amor é o remédio mais eficiente. O amor penetra na alma e ultrapassa quaisquer barreiras as quais são intransponíveis para os fármacos habituais. O amor protege e acolhe. Quem sente dor precisa receber amor. O amor, portanto, é analgésico. O amor também é anestésico, ou seja, quando uma ferida real e metafórica lateja, o amor anestesia. O amor polariza e despolariza nossas membranas que, por vezes, estão rígidas de amargura, desespero e impotência. Os pacientes, via de regra, estão amargurados, desesperados e se sentindo impotentes. Então, o médico precisa de amor para poder conduzi-los. Antes de tudo, antes mesmo da descoberta dos micróbios e do surgimento da ciência, já existia a medicina. Cuidar do outro é algo tão antigo quanto a nossa própria existência. Portanto, o amor é pretérito a tudo, pois, a partir dele, foi permitido o ato de cuidar. Desta feita, a medicina nasceu e surgiu dele e a partir dele. Apesar disso, não existe, até onde eu sei, disciplinas na graduação da medicina que falem do amor ou que mostrem a importância do amor para ser ou se tornar um médico. Tive aqui um devaneio. Já pensou, numa faculdade de medicina qualquer, existir disciplinas chamadas AMOR I, II, III e IV. Seria maravilhoso! Nós, médicos, dentro das nossas loucas vidas, aprofundamos cada vez mais leituras e estudos técnicos. Temos a tendência de nos afastar daquilo que não está nos compêndios médicos. Por isso, infelizmente, esse amor, que tanto eu propago, acaba por ser esquecido. Por essas e outras, eu, em todos os semestres, falo aos meus alunos que “para que nos aproximemos da medicina, precisaremos também nos afastar da medicina”. Que o amor seja introjetado em todos nós, médicos graduados, e nos estudantes de medicina que se graduarão. Que não esqueçamos a base da medicina, ou seja, que não esqueçamos o amor.

Régis Eric Maia Barros

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